POST DO GP DE HOJE

SAIU O SHORTLIST DO YOUNG LIONS DE PLANEJAMENTO

Confira abaixo, em ordem alfabética, a relação de finalistas da categoria Planejamento do Young Lions 2008:

- Caio Del Manto
- Gabriela Bottura
- Gian Martinez
- Joyce Moraes
- Liane Santi

Nesta 4a feira (30 de abril) de manhã, na ESPM, eles apresentarão seus trabalhos pessoalmente ao juri -- que este ano é composto pelos ex-young João Gabriel Fernandes, Laura Chiavone e Sergio Katz, além do diretor de desenvolvimento do GP, Daniel De Tomazo.

Os vencedores serão anunciados na festa do Young Lions Brasil, marcada para o dia 5 de maio.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 14h44
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Planners Ombudsmans por Utymo Oliveira l Giovanni Draft+FCB

Nesta semana estréia o novo Ombudsman da Folha de São Paulo e parte de sua entrevista no jornal de Domingo lembrou-me o papel que considero fundamental e corajoso de um planner:
Ombudsman de sua agência e da publicidade nacional
Acredito que teríamos na verdade que aumentar nossa representatividade na "fiscalização da ética e da qualidade" da publicidade brasileira
Afinal, será que o público quer "coisa ruim"? A culpa é deles? Abaixo o trecho que inspirou a comparação (e lembrança) entre o papel do Ombudsman e do Planner.

..."Mas aqui há uma questão. Será que o jornalismo sério precisa mesmo entregar o que o público quer, ou diz querer? Na minha opinião, jornalismo sério tem que atender a demanda do público, mas tem também que liderar. É preciso haver uma troca entre o meio de comunicação e seu consumidor para que o jornal atenda os desejos dos leitores, mas também ajude a melhorar a qualidade desses desejos." (CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA)

Escrito por BLOGdoPLANNER às 14h48
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HÁ ANOS LUZ DO CONSUMIDOR   por Pedro Scaramuzza l Africa

Um dia depois da morte de Arthur C. Clarke (19/03/08), autor do livro que inspirou Kubrick no revolucionário “2001, uma odisséia no espaço”, vi esse filme “espacial”, inspirado em outro livro “Pale blue dot” de Carls Sagan.

 

Bacana, tem 6 minutos que nos levam a várias reflexões pessoais, profissionais e etc.

Mas ao meu ver, o ponto mais interessante é construído até o  minuto 2.

Fala sobre a visão macro, generalista, que se sobrepõe à existência individual.

Ok, mas o que isso tem a ver com o nosso dia a dia?

 

Análise e definição de target: Classe A/B, classe C, jovens, 35-45 anos, crianças, investidores, pessoas do interior... e muitas vezes paramos por aí.

 

Por diversas razões (e cada um tem a sua: pressa, excesso de outras infos, dificuldade de ir à campo...) acaba não existindo aproximação suficiente, sociológica, antropológica, que permita entender os desdobramentos de cada público, as peculiaridades, os grupos de comportamentos diferentes dento do target definido... O que nos leva a conclusões óbvias, rasas.

 

Será que nesse momento de marcas envolventes, branding, experiential marketing, nossos ‘públicos-alvo’ não merecem uma atenção mais especial, mais próxima? Pq lá do espaço, é impossível compreender a importância de cada um.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 17h19
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INTERESSANTE

WOLFFOLINS, BOM E DIRETO AO PONTO. por Laura Chiavone l Limonade

Esses dias estava fazendo uma pesquisa na internet quando me deparo com um site que, não por acaso, a Luanda Barros, que trabalha comigo na Limo havia me passado. O site é da Wolff Olins, uma empresa inglesa de branding, que mantém escritórios em Londres e NYC. Surpreendente é que a Wolff Olins tem 43 anos de vida e, aqui entre nós, mais atualizada e jovem que muitos que vejo por aí. A lista de clientes deixa isso mais que evidente: Adidas, Apple, London 2012, New York City, Orange, Pepsico, Sony, Starbucks, Tate, Tesco e por aí vai. Bom encontrar fontes inspiradoras e desafiadoras.

Abaixo, o trecho inicial do texto da home:

"Brand Next: novos consumidores, consumidores com novos pensamentos, querem que as marcas ajam, vejam e sintam diferente. As marcas do futuro não procuram enfeitar as suas ferramentas de marketing, mas buscam plataformas efetivas de ações. Elas ajudam mais pessoas a fazerem mais e melhor. Pensamos que as marcas precisam ser menos controladoras e mais generosas."

Marca=Plataforma.

Marca=Link

Marca=Tema

Leia o texto na íntegra em www.wolffolins.com. Ele ainda aborda benchmarks e marcas que buscam encontrar novos caminhos e diferenciação, citando entre outras, a Oi. Há tempos eu não concordava 100% com algum texto. Confesso que me surpreendi positivamente com as palavras utilizadas para definir os novos caminhos e novos desafios das marcas que querem ter estratégias eficientes e sustentáveis. Às vezes uma coisa é tão óbvia pra gente que fica quase impossível explicar, difícil encontrar as palavras. De uma maneira inteligível, a argumentação sustenta que as necessidades das marcas partem de mudanças de comportamento dos consumidores - que foram detectadas como tendências há anos - mas que somente agora começam a impactar as marcas imóveis e inertes. Acho que a grande história é que até agora, essas marcas simplesmente observaram o sucesso das marcas inovadoras como aquelas que usavam estratégias diferentes para buscar espaço. Porém, neste momento, os próprios consumidores de massa estão buscando fazer diferentes escolhas e alterando os seus critérios de avaliação de marcas. Critérios esses que passam não somente pelo emocional, mas sobretudo pelo racional, pelo que é tangível e entregue a ele. Uhm, interessante. E bom.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 22h01
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ASSISTI (com errata)


O QUE JUNO TEM A VER COM A GENTE? (com errata)   por Utymo Oliveira   l  Giovanni Draft+FCB


Estou maravilhado com o filme Juno e uma grande professora, mestra, amiga, colega de trabalho, linda, inteligente e ácida mulher comentou de levantarmos um blog de Planejamento.

- Eita Saravá meu Pai Mi Zi Fio! Vambora!

Pra não perder o pique com o filme Juno e o Cinema, em reta final de Oscar, pensei em escrever algo sobre Planejamento e a Sétima Arte. E já havia pensado...
Seria o Roteiro o Planejamento?
Seria o Roteirista o Planejador?

Acalmem-se Criativos que batem no peito e gritam "O Roteirista é o Redator!"
Se pensarmos que a Criação é a "execução" e o Planejamento concebe o "roteiro", o "insight", a "linha estratégica". Poderíamos pensar que o Roteiro do filme ainda é algo escrito, sem brilho e o Diretor do filme coloca de pé este "roteiro" "executa" e "brilha" assim como "brilha" a Criação Publicitária.

Mas (sempre tem um mas)...


Nos últimos anos tenho notado (e a imprensa também) um certo destaques para alguns roteiristas; como o bom e velho Charlie Kaufman (bela correção de Gustavo) (como diria um também amigo e mestre "o mundo é uma tampinha mesmo") Eis que! Juno o filme em "questã" tem como produtor John Malkovich! (adorei quando li o nome dele no começo do filme - reparem) E Charlie Kaufman (reparem como os filmes de Charlie foram alardeados como “mais um filme de Charlie!”) foi roteirista de Quero ser John Malkovich! Bom... digressões e tampinhas a parte;

O ponto é: Juno também tem o (a) roteirista como destaque!

Essa "tendência" (odeio essa palavra) tá tomando corpo na Gringolândia.

Roteiristas destacando-se tão ou mais que Diretores. (este na verdade é o ponto)

E na Publicidade? Será que isso vem rolando? A relevância também do "escrito" do que "está por trás" do que "foi feito antes da execução" não vem ganhando a mesma ou maior força?
E será que se ambos têm a mesma ou alternam forças e importâncias isto não é saudável?
É hora de competição ou união? (alguns andam unindo)
E agora pra provocar mesmo... E a greve dos Roteiristas em Hollywood?
Aponta pra algum futuro na Publicidade? Eu não sei.
Só pretendia escrever um textículo sobre Cinema (Juno) e Planejamento...Pra pensar...
Site "inspirado" sobre a greve - será que poderíamos fazer um "whyweplan" :)
whywewriteseries.wordpress.com
Blogs da roteirista de Juno (Diablo Cody)
diablocody.blogspot.com - blogs.citypages.com/dcody - www.myspace.com/diablocody
PS (sempre tem um PS) É bom repararmos que os melhores roteiros e roteiristas são criativos e simples - pungentes...mas isso é outro post...



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h32
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FALANDO NISSO...

O TEMPO. O DESEJADO TEMPO.



por
Laura Chiavone l Limonade


São longas as discussões, muitos os livros e palestras sobre o valor do tempo. O tempo é a última coqueluche, uma iguaria disponível para poucos. Nos nossos tempos, vivemos todos na dita correria do dia-a-dia – protagonista do conceito de quase todas as marcas com atributos de praticidades e conveniência - e somos tomados cada vez mais por reuniões, compromissos e pelo trânsito das grandes cidades. E qual a implicação dessa correria no nosso trabalho? Os prazos apertados, milhões de reuniões e demandas e a dificuldade de encontrar tempo para pensar, criar e avaliar as nossas idéias. Não se engane, eu não estou falando apenas do tempo em termos quantitativos. É claro que ele é fundamental, mas estou tratando sobretudo da qualidade do tempo empregado nos nossos projetos. Estes dias aconteceram duas coisas que me chamaram à atenção para esse assunto: a primeira foi que estava falando com uma amiga planner que trabalha fora do Brasil e ela compartilhou comigo como funcionam os processos de trabalho na Europa. Ela me contou que os cronogramas dos projetos são organizados com uma grande antecedência e que eles prevêem os timings necessários para cliente, agencia e produção trabalharem. Melhor: que esses timings são negociados entre as partes antes do início do trabalho. Que beleza. Isso só nos mostra uma coisa: é possível dispor do tal do tempo desde que haja lucidez na equipe – meaning cliente + agencia. Falando em lucidez, chegamos à segunda coisa extraordinária que aconteceu esses dias. Após receber um briefing e aprovar um projeto com o cliente, chegamos, juntos, à conclusão que o prazo para a realização do trabalho estava muito curto em relação à expectativa dos outputs do projeto. O que fazer? Simples: mais prazo. Se está claro para ambas as partes o tipo de benefício que o trabalho final vai trazer em termos de resultados se conseguirmos mais prazo, é meio caminho andado. Eu consegui mais prazo!!! Sabe o que é melhor. Que o prazo fez diferença mesmo. Os dias extras que tivemos trouxeram dois grandes ganhos. O primeiro foi a oportunidade de discutir, alinhar e aprovar com o cliente os caminhos que estávamos trabalhando. E o segundo foi simplesmente o amadurecimento das questões centrais nas nossas cabeças, o que possibilitou o aparecimento de novos insights e um salto qualitativo imenso em termos de qualidade e eficiência do resultado. Uma coisa que sempre discuto no Bootcamp e a vida me faz acreditar cada vez mais: a idéia não tem hora pra aparecer. Mas se vc cultiva um ambiente de fomentação criativa e responsabilidade com as questões do cliente, vc está construindo as idéias antes de saber quais elas são. Foi genial. Queria muito compartilhar a experiência como um incentivo ao bom senso para a negociação de prazos.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h30
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we are back :)

EU VOLTEI. VOLTEI PARA FICAR.

POIS AQUI, AQUI É O MEU LUGAR.

 

por Laura Chiavone  l   Limonade

Faz um tempão que o blog deixou de ser atualizado. E por que diabos isso aconteceu? Porque a gente ficou sem tempo para escrever. Mas como é possível que, um dia vamos dormir com tempo e acordamos no outro......sem tempo. Algumas fichas caíram pra mim sobre esse tema, o tempo. E está aí: alegar falta de tempo é pura falta de vergonha na cara quando a gente está falando de alguma coisa que gostamos. E muito. Portanto, chega de saudade. Está de volta, depois de um período sabático e cheio de idéias na bagagem,o BLOGdoPLANNER. A minha grande esperança é que os amigos e leitores nos perdoem e voltem a nos doar idéias, pensamentos, posts e comments ao blog. Que seja bem vindo de volta o nosso debate. Participem, com comments ou escrevam: blogdoplanner@uol.com.br. Aquele abraço.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h00
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O PLANNER PERGUNTA

ATÉ ONDE OS PLANNERS CONSEGUEM CONSTRUIR UMA MARCA?

por Monica Herzer l Giovanni, FCB

 

Passar o feriado de aniversário de SP em casa pode ter suas vantagens. Você fica procurando o que fazer e acaba esbarrando em coisas interessantes.

Foi o que aconteceu comigo: zapeando pela TV comecei a assistir um filme, daqueles com cara de sessão da tarde… só que o filme contava a história do Steve Jobs e do Bill Gates e, lógico, de como surgiram a Apple e a Microsoft.

(Pirates of Silicon Valley - 1999)

 

Fica fácil de entender, no fim da história, porque algumas marcas viram objetos de desejo e referência e outras viram business. Não quero tirar o mérito de planners e especialistas em construção de marca mas, fica a pergunta: até onde podemos construir o DNA de uma marca? Uma marca que, antes de nascer, já tem uma essência tão definida, geralmente plantada pelo seu criador (como é o caso de Steve Jobs)? Aí, quando você assiste ao lançamento do Iphone, percebe que a mesma essência ainda está lá, com a mesma intensidade e completamente fiel aos seus princípios.

Será que seria possível transformar a Microsoft e seus produtos em objetos tão desejados quanto os da Apple?

No mesmo feriado, assisti também a um documentário sobre a Coca-cola (aquele que saiu nas bancas, pela Super Interessante) e me deparei com uma situação muito parecida: o fulano (esqueci o nome!!) que comprou a fórmula da Coca-Cola (quando ainda era vendida como remédio) era missionário de uma igreja e usou dos mesmos princípios para divulgar o seu produto!! Que hoje é adorado e consumido no mundo todo. Ele conseguiu, no final de 1.800, divulgar o seu produto através de um buzz, com seus “missionários” viajando pelos EUA e divulgando a Coca-Cola.

Nada de novidade falar de Apple e Coca-Cola, mas vale pensar e discutir sobre o assunto.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 14h08
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ESTIVE PENSANDO

QUER PAGAR QUANTO POR UMA PROMESSA DE DIFERENCIAÇÃO? por Fernando Diniz, Planner da Y&R

Caros leitores do Blog do Planner. 24 horas por dia eu trabalho pensando em como desenvolver e gerenciar marcas e trazer mais resultados para meus clientes. Acho a nossa profissão honesta, apesar de muitos amigos jornalisas, antigos companheiros de redação da Folha e do Estadão, brincarem comigo dizendo que vendi minha alma. Bobagem... a propaganda seduz. Você se interessa e experimenta. Se não for bom, abandona. Por isso digo que criamos uma relação transparente com as pessoas. Mas outro dia, navegando, vi um texto de um blog chamado "Porcos de Pérola" (www.porcosdeperola.globolog.com.br) que não pude deixar de ler. Achei um bom contraponto para gerar um debate com diferentes enfoques. Enfim, reproduzo abaixo o texto apenas para gerar desconforto nos nossos leitores. E ouvir suas opiniões. Aos alunos do Bootcamp, por favor, atenção: leiam o texto para nossa próxima aula, quando poderemos discutir mais a respeito. Um abraço a todos!

Quer pagar quanto por uma promessa de diferenciação? (do blog porcosdepérola.globolog.com.br)
Você experimentou duas calças jeans. Ambas lhe caíram bem no corpo. Mas você optou por uma que era muito mais cara. Por que? A qualidade é a resposta que eu mais ouço quando faço essa pergunta aos meus amigos. Mas eu discordo. Em um mercado desenvolvido como é o brasileiro, inclusive do ponto de vista industrial, duas empresas de mesmo nível que competem entre si certamente estão igualmente preparadas tecnologicamente, atingindo grau similar na qualidade e inovação de seus produtos. Explico melhor. Peguemos como exemplo dois produtos de qualidade indiscutível, as calças das grifes Diesel e Levis. Pergunto então: uma calça jeans da marca italiana Diesel, que custa em torno de R$ 1.200, é mesmo tão melhor assim que uma da americana Levis, que sai por R$ 150? Eu acho difícil de acreditar, uma vez que as calças Diesel são feitas no nosso ensolarado Ceará, com mão de obra brasileira e saem por um preço que varia entre R$ 26 e R$ 48. Aliás, das fábricas da periferia de Fortaleza partem para todo o mundo etiquetas “genuinamente cearenses” como Donna Karan e Chloé, por exemplo. Não há, portanto, um tecido mágico de alta tecnologia inigualável cujo custo incida sobre o preço de produção e justifiuqe a diferença. Então podemos dizer que essas marcas estão nos explorando? Não, não podemos dizer isso. Somado ao valor de confecção está contabilizado também o preço do talento de profissionais como designers, estilistas, desenhistas e publicitários (como eu) que produzem o que realmente você compra: uma promessa de diferenciação. Essa promessa pode ser traduzida também por marca. Afinal, uma marca nada mais é do que um conjunto de promessas de diferenciação que liga o consumidor ao produto. Ou seja, o que compramos não é a roupa, mas o que sua marca promete por meio de sua iconografia, de seu discurso de propaganda, etc. Compramos mesmo é uma atitude que nos cative. Assim, pagamos para vestir idéias que nos atraem, tendo como reembolso a permissão de nos apoderarmos de uma parcela desses ideais como se fossem genuinamente nossos. E isso nos faz sentir mais bonitos e seguros, mais modernos e ousados, ou tantas outras coisas que constroem nossa auto-imagem e a percepção que queremos que os outros tenham de nós. Particularmente, não acho que esse anseio por diferenciação seja condenável, pois ele é inerente ao ser humano. Ele está ligado à nossa curiosidade nata, à procura constante por inovação, o que leva nossa civilização à descobertas e à evolução. Esse anseio faz parte também de uma busca interna e pessoal pela compreensão de quem realmente somos, do entendimento do nosso indivíduo. Porém, a busca por diferenciação tendo apenas o consumo como base de sustentação nada tem a ver com auto-conhecimento, me parecendo mais uma esquizofrenia social pela qual passamos. Não vejo nada de errado também em admirar uma marca. Marcas são produzidas por empresas que pagam impostos, que empregam pessoas, que muitas vezes envolvem-se em projetos sociais com seriedade e não apenas por pegar bem. Algumas delas vão além de uma promessa publicitária. Elas realmente seguem um ideal, uma crença que contamina todos os envolvidos em sua rede de relacionamento, de seu presidente ao consumidor. Isso acaba transformando a própria companhia, seu modo de trabalhar, seus produtos, sua relação com a sociedade. E o consumidor percebe e gosta. É só lembrarmos de Apple e Natura, por exemplo. Penso que se há alguém errado, esse alguém somos nós que muitas vezes somos acomodados na hora de construir os próprios valores e preferimos pagar pelas idéias que já estão prontas. Afinal, isso é muito mais fácil do que nos informarmos sobre questões importantes para a sociedade em que vivemos, do que sermos participativos, do que assumirmos posturas mais civilizadas - o que requer, além de consciência, uma tremenda disciplina. Ao nos tornarmos pessoas de frágil senso crítico, priorizamos as promessas, os conceitos e as idéias dessas marcas como forma de preencher nosso vazio. E deixamos de pensar. Então me pergunto: o quanto nós precisamos de diferenciação? O quanto estamos dispostos a pagar por isso? O quanto dependemos disso para nos sentirmos plenos, seguros, bonitos, inteligentes ou desejáveis? Não está na hora de crescermos e pararmos para pensar um pouco mais no que realmente é relevante? Porque nessa busca desenfreada por diferenciação, por nos sentirmos exclusivos e especiais, nos esquecemos de buscar o que realmente é importante para nossas vidas. Na sua opinião, o que é isso mesmo?

Um Pouco mais Sobre Diferenciação
"Luxo é a desproporção entre o prazer de consumir determinada mercadoria ou serviço (V) e o preço (P). Se V é maior que P, temos o fenômeno conhecido como pechincha, o luxo de gente virtuosa. Se V é menor que P, temos o fenômeno do exibicionismo, o luxo de gente tola." Gustavo Franco, economista, ex-presidente do Banco Central, na revista Veja, Dezembro de 2005



Escrito por BLOGdoPLANNER às 11h02
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NEM CEGOS, NEM TETRAPLÉGICOS

As questões que estão em discussão neste momento pelos profissionais de comunicação nas agências do mundo todo me lembraram muito a metáfora criada por Pierre Lévy em seu livro “As Tecnologias da Inteligência” (Editora 34), onde ele faz alusão a dois personagens, que limitam sua potencialidade de realização e revolução social, pois estão circunspectos a seus próprios micro-ambientes. São eles: o engenheiro cego e o sociólogo tetraplégico.

O engenheiro maravilha-se pela infra-estrutura, pelas ferramentas que cria, mas não tem a visão de seus usos, está cego quanto à aplicabilidade de todo seu ferramental por parte da sociedade.

Em contrapartida, o sociólogo, tetraplégico, tem toda a visão e entende profundamente do contexto social e cultural em que vive, mas também se frustra já que não possui os meios e o ferramental que lhe dá mobilidade para transformar a sociedade sobre a qual se debruça e tem toda a visão.

Acredito que a publicidade, no mundo todo, sofre as mesmas angústias do cego e do tetraplégico. Enquanto alguns acreditam e contam com uma grande infra-estrutura de comunicação, não têm a visão sobre o que fazer com ela. Outros têm a clara visão das necessidades do mercado e da potencialidade de realização, mas queixam-se da ausência de uma infra-estrutura (ferramentas, investimentos, profissionais e parceiros-especialistas adequados).

Na medicina, vemos cada vez mais a volta do médico da família, a recuperação da importância do clínico geral, ou de médicos especialistas que não perdem a visão global do paciente por sua expertise em um órgão específico do corpo. São generalistas e especialistas que sabem trabalhar em harmonia e sinergia.

Na publicidade, já não se pode mais salvar o dedo, e deixar o paciente morrer. O caminho parece ser também o da recuperação do papel do generalista, mas um generalista que sabe combinar infra-estrutura com visão global. Mais do que um publicitário, o profissional da comunicação que está se configurando, sabe diagnosticar e ver o todo, e atua combinando e acessando as diversas experiências e ferramentas de comunicação e marketing disponíveis em sua equipe.

Aqui no Brasil, assim como em qualquer outro canto do mundo, o desafio da Comunicação Integrada de Marca será superado pelas equipes que souberem fazer ‘engenheiros’ e ‘sociólogos’ trabalharem de forma colaborativa. Ou seja, profissionais de comunicação que saibam combinar a visão global dos negócios e das marcas com a implementação e operacionalização da infra-estrutura multi-disciplinar da comunicação.

Graças ao talento de administrar as adversidades e a facilidade e adaptabilidade históricos que o brasileiro possui, pode ser que estejamos cada vez mais perto de encontrar um novo e mais efetivo modelo de trabalho para o mercado publicitário brasileiro e definir o papel que as agências deveriam assumir em meio a tantas mudanças tecnológicas, culturais ou econômicas por que estamos passando. Sejam estas mudanças em função da evolução tecnológica das mídias, seja em função da mudança do próprio comportamento da sociedade.

Acredito em uma mudança mais simples, que está vindo de profissionais que se reúnem em grupos heterogêneos e empenham-se no dia-a-dia a trabalhar de forma genuína, ética, colaborativa, apaixonada, focada e corajosa na busca de respostas a todas estas difíceis questões. Sem que se ceguem maravilhados pelo ferramental tecnológico e a infra-estrutura disponível, nem que se anulem ou imobilizem pela ausência deles.

 



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h52
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...3ª PARTE (TEXTO de Georgia Fajuri)

Acredito que ambos os textos, tanto o sobre Etnografia, quanto o sobre Hermenêutica e sua aplicação nas pesquisas Quali, nos dão embasamento e nos contam sobre algo muito valioso que vocês, professores da Miami, têm procurado nos mostrar como fundamental para um bom planejamento de comunicação: para pensar a Publicidade e o consumo, pensem em pessoas, não em consumidores. A sociedade é feita delas, vamos atentar à psicologia do consumo, que, em última análise, é a das pessoas que consomem ou não; e é disso que devemos partir.

E mais: pessoas vivem em sociedades e essas são hoje uma resposta do ontem (e do hoje também), uma resposta das pessoas e grupos, suas raízes, história e características, mutáveis ou mais rígidas.

Acho que ler com todos os sentidos e ver através das entrelinhas, com atenção, intuição, questionamento e cultura, aproveitar e compartilhar do trabalho de outros profissionais para saber mais sobre gente, grupos e sociedades é a grande mensagem dos dois textos e de muito do que temos tido no Bootcamp.

 



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h21
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...2ª PARTE (TEXTO de Georgia Fajuri)

No módulo deste fim de semana (6,7 - Outubro), tivemos aulas bacaníssimas de Quali com a Paula Rizzo. Justamente, discutimos, dentre mil outras coisas, quando é relevante usá-la e as inúmeras e criativas formas de fazê-la; e o quanto é fundamental o feeling dos profissionais envolvidos na pesquisa e na análise (incluindo nós, planejadores) para ver nas entrelinhas e sacar as virtudes e limitações de cada pesquisa, considerando o conjunto para chegar numa análise mais próxima possível do que se quer descobrir; e, ainda, não necessariamente prender-se à pesquisa.

Acredito que tudo isso, relacionado, também tem muito a ver com a proposta da Hermenêutica abordada no artigo lido e com a proposta de compreensão feita pela Etnografia. Lembrei bastante do conteúdo dos textos durante a aula. 

Um outro ponto que me chamou a atenção no texto de Winkin é como um campo restrito (a piscina, o bar) pode ou não representar um universo maior, perfis de uma sociedade mais ampla. Provavelmente esta resposta é caso a caso, não? Depende do campo (espaço, tempo, pessoas e outros elementos), depende da sociedade e do que se quer analisar. Mas acho que não se pode ignorar que ainda que o micro-universo do campo não possa refletir totalmente aspectos mais macro da sociedade em que está inserido, com certeza diz algo sobre uma parte dela, mais ou menos relevante para um determinado trabalho de análise de comportamentos, atitudes e perfis: enfim, de pessoas.

 

(FIM da 2ª PARTE)



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h17
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Pessoal,

Publico aqui na íntegra, com o consentimento da autora, o texto que a Georgia Fajuri, aluna do Bootcamp, fez com base nos textos passados ('Para descer ao Campo' - Yves Winkin e 'Hermeneutica' de Maria Cristina C. Costa). Respeitando a dinâmica do blog (de textos mais curtos), publicarei o texto em 3 partes. Georgia, belo texto! (Marcello Magalhães)

O jogo do Planejamento: a “Interpretêutica” em campo

 

Do jogo formado entre dois textos, apreendi conceitos e dicas importantes para nós que nos propomos a ser planejadores de verdade: observar, observar, ater-se; duvidar, questionar, ainda que não verbalmente; procurar enxergar o que não está escrito ou é dito com palavras. De fato, qualquer comunicação é um conjunto de linguagens, elementos também não explícitos. Mesmo o silêncio de uma pessoa ou de um ambiente é capaz de dizer muito... Vamos saber ler e ver, captar e enxergar.

Descer a campo sempre que possível. É sempre muito desejável, com certeza. Todas as vezes em que experimentei o campo, seja para o trabalho da feira, seja em outras ações anteriores, pude perceber muito mais como os fenômenos acontecem ali, qual a experiência que o campo proporciona e tentar decifrar quem são as pessoas que estão ali naquela hora (momento), e porque; e quem não está, e porque (poderia estar? Desejaria estar? São perguntas chaves para nós da Comunicação).

Entrar num campo é uma tarefa desafiante, e nisso achei muito bacana o texto de Yves Winkin sobre Etnografia e como etnógrafos trabalham, lições detalhadas e bem feitas sobre a observação do campo para poder analisá-lo. Anotar, anotar, anotar; depois, eventualmente, conversar (temos a tentação de já conversar quando achamos que temos uma chance. E anotar quando possível; eu anoto bastante, e depois de algum tempo deixo de anotar para só ouvir. Poderíamos discutir isso em aula, talvez?!). Achei muito interessante também a ponte entre a Etnografia, o trabalho dos historiadores, antropólogos, psicólogos, psicanalistas e sociólogos, que versa sobre o ser humano e suas sociedades ontem e hoje, e as pesquisas Quali. Afinal, nessas pesquisas e em todo o planejamento, procuramos entender mais sobre as pessoas e as sociedades. (FIM DA 1ª parte)

 



Escrito por BLOGdoPLANNER às 21h12
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TÔ PENSANDO NISSO

por Laura Chiavone l AlmapBBDO                                                                                   C.Veloso e G.Gil

Criatividade é das coisas mais difíceis para se vender. Falar em criatividade não é assim uma coisa fácil porque implica estar disponível para defender algo ainda um pouco desconhecido, que não faz parte da paisagem ou do lugar comum. Acreditar em algo criativo implica em, primeiro de tudo reconhecer a criatividade e acreditar no que ela pode realizar. É por isso que é necessário que a criatividade seja entendida como muito mais do que o produto do trabalho criativo, mas como mindset do profissional de comunicação. Uma idéia nasce como algo muito frágil e é passível de ser detonada com muita facilidade, como bem diria o meu amigo Marcello Magalhães. Não é nada fácil fazer uma idéia crescer: é preciso cuidar dela, dar–lhe alimento enfim, acreditar nela. Em alguns momentos, o processo de fazer vingar a criatividade pode ser solitário e duro. É preciso defender as suas idéias, mesmo que elas não sejam unânimes entre todos os seus colegas. De qualquer maneira, boas idéias aparecem com mais freqüência em ambientes que as ajudem a nascer e crescer. Acho que estamos precisando repensar o quanto estamos ajudando de fato, no nosso modelo atual de trabalho, isso acontecer. É certo que o modelo que seguimos aqui já teve muito sucesso, mas o mundo gira, a lusitânia roda e a indústria mundial de comunicação se modifica. A verdade mesmo é que quem se modifica é o consumidor, que adota novas tendências, tecnologias, estilos musicais, assimila novos comportamentos e transforma a sua maneira de ver a vida o tempo todo. E ele não faz isso escondido de ninguém. Todos somos convidados a participar deste movimento – ativamente como consumidores e profissionais ou passivamente como espectadores. Panis et Circenses. Este ano pudemos encontrar em vários veículos matérias e artigos referindo-se ao desempenho do Brasil em alguns dos principais festivais do mundo, que está abaixo do esperado. Nestes dias, a discussão gira em torno do El Ojo, no qual a Argentina está deixando os nossos jurados de queixo caído. O que aconteceu com os nossos vizinhos? Há quem diga que a criatividade Argentina foi acordada pela crise e hoje o país produz mais criatividade, ousadia e inovação que nosotros. Ué? Como é possível? Se o que mais temos no Brasil são crises? Ou será que as crises são tão corriqueiras que já não inspiram mais ninguém? Quem sabe precisamos buscar outras fontes de inspiração para crescer e enriquecer a nossa criatividade? Quem sabe dar uma volta na Bienal de São Paulo? Ou naquela comunidade em Jacarepaguá na qual os seus moradores construíram um complexo esportivo para a prática de badminton? Imagina só a pessoa que resolveu contar para a comunidade o que estava pretendendo fazer? Quem aposta comigo que ele não pediu a aprovação de todo mundo pra fazer? Só assim e, acreditando na sua idéia e no que ela seria capaz de fazer pelas crianças, foi possível fazer esse projeto vingar. Ainda bem. Honestamente, ninguém no Brasil hoje iria aprovar a construção de um complexo de badminton na periferia. Brasileiro gosta de futebol. Todo mundo joga futebol. Todo mundo. Todo mundo. Todo mundo não é todo mundo.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 10h22
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VC VIU?

ÍNDIO COM iPOD, PODE? por Laura Chiavone l AlmapBBDO

Tá lá na capa do estadao.com.br: uma chamada para um índio ouvindo um iPod. Um dia aqui no blog eu tava perguntando porque é que a Apple conseguiu se apropriar da categoria, mesmo tendo o iPod sido um lançamento tão tardio no mercado de eletrônicos. Especulo que foi uma combinação de produto (entendido como o iPod+iTunes) e de uma comunicação que não pretendia fazer mais do mesmo: ousadia e acordos como o que a Apple fez com o U2. De fato, não tenho certeza do que foi, mas que funcionou, funcionou mesmo. Curioso é achar essa fotografia, que na verdade é um zoom in de uma formação de morros e uma estrada em Alberta, interior do Canadá em forma de índio, receber uma associação não à fones de ouvido, mas a um iPod. Isso é que é top of mind. Que delícia fazer um trabalho que rompe com o ordinário para construir uma marca altamente diferenciada num universo de produtos tão iguais.



Escrito por BLOGdoPLANNER às 17h20
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